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100 anos de imigração japonesa: hábitos incorporados na alimentação brasileira

No dia 18 de junho de 1908 o navio Kasato-Maru atracou no porto de Santos (SP) trazendo os primeiros imigrantes japoneses para o Brasil. A bordo, 781 pessoas fugiam da falta de emprego no Japão em busca de novas oportunidades, e logo foram encaminhadas às fazendas paulistas de café.


Foram diversas dificuldades no começo: idioma, cultura e hábitos alimentares. Não era difícil encontrar arroz e peixes, porém o arroz era muito diferente do japonês e o peixe não era habitualmente consumido aqui no Brasil, embora abundante em razão do tamanho de nossa costa litorânea. Os pratos brasileiros também eram muito diferentes, gordurosos, condimentados e pesados para o paladar japonês.


Com o passar do tempo e a necessidade de se aclimatar, hábitos foram adaptados e aculturados. Em 1910 por exemplo, dois anos após a chegada em terras brasileiras, os imigrantes japoneses já conseguiam produzir os condimentos básicos de sua alimentação: o shoyu (molho de soja) e o missô (pasta de soja), fermentados de forma rudimentar a partir da soja, milho, sal e melaço.


Além dos já amplamente difundidos sushis e sashimis, os japoneses também foram responsáveis por trazer mais de 50 tipos de alimentos como a soja, o caqui doce, a tangerina poncã e o morango. Eles também implantaram técnicas inovadoras de cultivo, como a rotação de culturas e a hidroponia.


Até a década de 70, a culinária japonesa era consumida exclusivamente pelos japoneses e seus descendentes. Somente nessa época os brasileiros sem descendência começam a experimentar os pratos típicos japoneses, e o peixe cru, que nunca passou de ingrediente, foi rapidamente alavancado à categoria de prato nobre, ocupando posição de destaque no cardápio.


Mais recentemente, na década de 2000, uma especialidade gastronômica mais sofisticada surge. De origem nipônica, o kobe beef é originário de uma raça de bovinos chamada wagyu. Esses animais, criados no Japão, recebem um tratamento especial para que desenvolvam uma alta concentração de gordura distribuída por todo o corpo. O tratamento inclui regime à base de cerveja e sessões de massagem e acupuntura. Já é possível encontrar essa iguaria em casas especializadas de carnes e alta gastronomia, bem como em hamburguerias mais sofisticadas aqui no Brasil.


Por: Nicole Cilhar Valente, clique aqui e veja seu currículo.

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